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Felipe Barbosa 04/01/1978 – Rio de Janeiro Duas vertentes opostas, surgidas na arte da primeira metade do século XX, mesclam-se na obra de Felipe Barbosa: o construtivismo e o dadaísmo. Se por um lado ambos voltavam-se contra os princípios acadêmicos da arte clássica e contra o teor artesanal dos processos convencionais da pintura e da escultura, por outro divergiam quanto aos novos passos a serem dados para a sua superação. Para o construtivismo o passado já havia sido suficientemente abalado pelas primeiras vanguardas modernistas. Tratava-se, pois, de construir sobre seus escombros uma nova arte comprometida com o socialismo e, portanto, com a lógica da produção industrial. Mas para o dadaísmo, ao contrário, era necessário avançar na demolição dos repertórios remanescentes da academia que impediam a superação de ideais como a transcendência da arte e a genialidade do artista, por meio de diversos procedimentos como a colagem e a apropriação de objetos produzidos no circuito industrial (o readymade de Duchamp embora lateral ao Dada tornou-se um emblema do método da apropriação como alternativa ao fazer manual). A maior parte dos trabalhos recentes de Felipe, baseia-se na construção (que, conforme sua definição histórica, consiste na montagem da obra a partir de partes previamente fabricadas em função de um projeto geometricamente concebido). No entanto, Felipe não constrói por apreço à pesquisa formal pura (e sem qualquer narrativa), do construtivismo, uma vez que ele não só a relativiza, pelo recurso à irreverente banalidade da apropriação, como minimiza também, inversamente, esta última, ao submetê-la ao rigor da geometria. Os títulos e as fichas técnicas desses trabalhos são cristalinos quanto à sua natureza híbrida: Toblerone (estrutura geométrica feita com 20 caixas de chocolate); Coca-cola ( 5 garrafas de coca-cola com tamanhos diferentes) ou Super Ball (bola 3D feita com gomos de 30 bolas), dentre outros. Trata-se, aqui, de uma geometria de teor empírico. São trabalhos compostos a partir das possibilidades de modulação, inserção e montagem ditadas pela configuração formal dos objetos apropriados pelo artista. Por isso, sua organização geométrica final supõe, sobretudo, a experimentação concreta e não apenas a execução de projetos. Entre alguns emblemas do consumo cotidiano e sua estruturação geométrica, desloca-se o sentido poético de toda a produção recente de Felipe Barbosa. Se seus trabalhos não são formalistas, tampouco se rendem aos encantos e até as facilidades academizantes da apropriação pura e simples. Fernando Cocchiarale